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Rated Better Man 10/10
<b>Better Man</b> é um filme musical-biográfico ousado e eletrizante que revisita a vida e a carreira de <i><b>Robbie Williams</b> </i>de uma forma nada convencional. A obra acompanha sua trajetória desde a ascensão meteórica ao estrelato até as quedas provocadas por excessos, inseguranças e autossabotagem, explorando não apenas o ídolo pop, mas principalmente o homem por trás da fama. O que torna Better Man tão especial é justamente o fato de não ser um documentário tradicional “<i>passa-pano</i>”. O filme não tem medo de mostrar Robbie Williams como alguém profundamente falho. Ele é talentoso, ambicioso e carismático, mas também imaturo, egoísta em vários momentos e autodestrutivo. Robbie queria o sucesso acima de tudo, queria que suas composições fossem reconhecidas e sonhava alto e quando finalmente conquista isso, acaba se perdendo nas próprias ruínas, mergulhando em drogas, relacionamentos destrutivos e traições. O filme não suaviza essas escolhas, e isso é um dos seus maiores méritos. Apesar de expor as “<i>cagadas</i>” do artista sem pudor, Better Man também é profundamente humano e triste. O filme carrega um peso emocional forte ao mostrar um homem que passou a vida inteira lutando contra seus próprios medos, vozes internas e sentimentos de inadequação. Essas vozes ganham forma em cenas quase oníricas, com chimpanzés surgindo em meio ao público, atacando e gritando que ele não é bom o suficiente. Em grande parte da narrativa, Robbie foge, se esquiva, não consegue encarar isso de frente, até que chega o momento em que ele finalmente confronta esses medos. Essa cena é simplesmente sensacional, catártica e emocionalmente devastadora. Visualmente, o longa é impressionante. Os efeitos visuais e o CGI são impecáveis e usados de forma criativa, nunca apenas como espetáculo vazio. A decisão de representar Robbie como um chimpanzé não é gratuita nem cômica: funciona como uma metáfora poderosa para a forma como ele se enxergava - alguém sempre observado, julgado, tratado como um “animal de entretenimento”, além de simbolizar seus impulsos primitivos, inseguranças e a sensação constante de não pertencimento. É uma escolha arriscada, mas que dá identidade única ao filme e aprofunda seu discurso emocional. Essa escolha estética me lembrou outro filme biográfico que também eleva o gênero ao fugir do óbvio: <b>Peça por Peça (2024)</b>, que conta a história do cantor, compositor e produtor <b><i>Pharrell Williams</i></b> inteiramente em forma de <b>LEGO</b>. Assim como naquele filme, Better Man entende que <b><i>uma biografia não precisa apenas relatar fatos, mas encontrar uma linguagem que traduza emocionalmente quem esse artista é</i></b>. Essa liberdade criativa transforma o filme em algo autoral, inventivo e muito mais marcante do que um retrato convencional. Better Man não é apenas sobre fama, música ou excessos. É sobre identidade, autossabotagem, culpa e redenção. Um filme corajoso, inventivo e emocionalmente honesto, que respeita os fãs sem idolatrar cegamente o artista.
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