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Rated Back to the Future Part II 8/10
Se o primeiro filme era redondo, quase perfeito em sua simplicidade, <b>De Volta para o Futuro II</b> é ambicioso, caótico e muito mais ousado. Ele não tenta repetir a fórmula, ele expande. Amplia a linha do tempo, multiplica realidades, complica as regras e transforma uma aventura “contida” em algo muito maior. A ida para 2015 é um dos pontos mais divertidos. É curioso assistir hoje e ver como o futuro imaginado mistura previsões criativas com exageros típicos dos anos 80. Não é um futuro realista, é um futuro estilizado, quase cartunesco, mas funciona porque o filme entende que está brincando com possibilidades, não tentando prever com precisão. O que mais me impressionou foi a estrutura narrativa. A decisão de revisitar os eventos do primeiro filme por outro ângulo é arriscada, mas extremamente bem executada. Ver <b><i>Marty</i></b> circulando pelos bastidores de acontecimentos que já conhecemos cria uma sensação quase metalinguística, como se estivéssemos assistindo a um filme dentro do próprio filme. O roteiro é complexo, mas nunca confuso. <b>Michael J. Fox</b> continua segurando tudo com carisma, mas aqui vem o ponto que me incomodou: a escolha de fazê-lo interpretar múltiplos membros da família McFly (inclusive versões femininas) apesar de claramente pensada como humor visual, me soou estranha. Entendo a proposta cômica e o virtuosismo técnico envolvido, mas em vários momentos isso me tirou da imersão. Em vez de acrescentar, acabou parecendo um exagero que chama atenção demais para si. Ainda assim, é impossível negar a criatividade da direção de <b>Robert Zemeckis</b>. O filme é mais sombrio, especialmente na linha do tempo alternativa dominada por Biff. Existe um peso maior aqui, a noção de que pequenas decisões podem gerar futuros distorcidos e quase irreparáveis. O segundo ato tem uma energia quase paranoica, como se o tempo estivesse sempre à beira do colapso. Não tem o mesmo equilíbrio emocional do primeiro, e talvez nem tente ter. É um capítulo intermediário, mais preocupado em expandir o universo e preparar terreno do que em fechar um arco completo. Mesmo assim, é incrivelmente inventivo, tecnicamente impressionante e narrativamente corajoso. Talvez não tenha a magia perfeita do original, mas tem algo igualmente interessante: a sensação de que a história ficou maior do que os próprios personagens. E isso, por si só, já é fascinante.
#movie
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