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henrysilv.bsky.social · @henrysilv.bsky.social@bridge.neodb.net

Rated Same Old West 8/10

<b>Cinema brasileiro digno de reconhecimento global</b>. É assim que posso resumir Oeste Outra Vez. A frase “Eu mataria por você” nunca fez tanto sentido como neste filme. A trama mostra dois homens disputando o amor de uma mulher, e essa rivalidade logo se transforma em um verdadeiro faroeste moderno: armas em punho, sangue nos olhos e capangas contratados para resolver o “serviço sujo”. A fotografia é deslumbrante, com cada detalhe, ângulo e movimento de câmera pensado para intensificar o clima de tensão. A ambientação também é um dos grandes acertos: os cenários áridos, secos e carregados de simbolismo fazem o espectador se sentir dentro de um duelo clássico, mas com a cara do cinema brasileiro. Outro aspecto que chama atenção é a presença mínima da mulher disputada. Ela aparece rapidamente no início, de costas, e depois desaparece da trama. A história passa a ser conduzida apenas por homens, entre conflitos, rivalidades e muita bebida. Isso é reforçado em uma das falas mais marcantes: <i>“Coitada da gracinha, viu... não dá sorte com marido”</i>. O atirador que diz isso, ao decidir matar o marido da ex, ainda a chama de esposa, mostrando como a visão masculina tenta ditar o que é melhor para as mulheres, mesmo sem sua participação direta. Por fim, o desfecho vem acompanhado da música de Nelson Ned, <i>“Tudo passa, tudo passará”</i>, que encerra o ciclo de violência e paixão de forma poética e irônica. <i>Oeste Outra Vez </i>é uma obra intensa, com estética poderosa e uma crítica embutida nas entrelinhas, mostrando que o cinema nacional pode sim alcançar padrões internacionais sem perder sua identidade.

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