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Cover of The Ugly Stepsister

henrysilv.bsky.social · @henrysilv.bsky.social@bridge.neodb.net

Rated The Ugly Stepsister 9/10

<b>The Ugly Stepsister</b> sem dúvida, uma das versões alternativas mais interessantes da história de Cinderela já colocadas no cinema. Embora o público já esteja acostumado a releituras modernas dos contos de fada, esta obra surpreende pela maneira como inverte a perspectiva e entrega uma história emocionalmente convincente sobre rejeição, identidade e pertencimento. Eu até poderia resumir o filme como <b><i>“mais uma versão alternativa de Cinderela”</i></b>, mas dizer isso seria injusto: essa adaptação me encantou justamente por fugir da lógica comum e dar profundidade a uma personagem que sempre foi tratada como piada ou vilã pela tradição. O roteiro acompanha a meia-irmã que, desde o início, é vista como “a feia”, mas o filme se recusa a tratá-la dessa forma. Em vez disso, a câmera observa suas inseguranças, seus esforços para ser notada e sua tentativa frustrada de encontrar algum espaço em uma casa dominada pela mãe autoritária e pela beleza natural da "Cinderela". A obra acerta em cheio ao humanizar essa figura e mostrar que, por trás da rivalidade, existe muito mais dor, solidão e desejo de aceitação do que maldade pura. A direção sabe equilibrar humor, sentimentos e crítica social, criando uma atmosfera agradável e envolvente. O elenco entrega performances sinceras, especialmente a atriz <b>Lea Myren (<i>Elvira, a meia-irmã</i>)</b>, ela carrega o filme com charme, vulnerabilidade e uma força silenciosa que torna fácil torcer por ela. A atriz <b>Thea Sofie (<i>Agnes, a "Cinderela"</i>) </b>também surpreende ao fugir daquela imagem perfeita e idealizada, dando à personagem um ar mais humano e menos distante. O que, para mim, não funcionou tão bem foi a escolha de inserir elementos de <b>“magia”</b> no meio da narrativa. A mãe conversando com a Cinderela como se fosse uma fada madrinha, aquelas referências diretas à carruagem que vira abóbora à meia-noite, e até mesmo as larvas fazendo o vestido (que, aliás, ficou um vestido bem feio) acabam quebrando um pouco o tom mais realista e emocional que o filme vinha construindo tão bem. Não é que a magia seja exagerada ou mal feita; na verdade, ela é usada de forma discreta, quase simbólica. Mas justamente por isso parece deslocada, como se o filme não confiasse totalmente na força da sua própria narrativa sem recorrer aos elementos clássicos do conto original. Sinto que, sem essa camada mágica, a obra teria funcionado ainda melhor. A história da meia-irmã já é forte o suficiente para se sustentar sozinha, e a tentativa de trazer de volta certas tradições do conto original não acrescenta muito, pelo contrário, enfraquece ligeiramente o impacto emocional de alguns momentos importantes. Ainda assim, “A Meia-Irmã Feia” é um filme surpreendente, bem construído, emocionalmente honesto e visualmente bonito. A narrativa consegue dar nova vida a personagens que sempre foram tratadas de forma superficial. Mesmo com seus deslizes, o resultado final é encantador, sensível e marcante.

#movie

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