henrysilv.bsky.social · @henrysilv.bsky.social@bridge.neodb.net
Rated The Cure 10/10
<blockquote><b><i>A melhor cura para a doença é a amizade.</i></b></blockquote>Sempre vi <b>The Cure</b> sendo associado a filmes com temática LGBT como <b><i>Close, Monster e Young Hearts</i></b>, e por muito tempo imaginei que encontraria aqui uma história de amor entre dois garotos. Depois de assistir, acho essa interpretação equivocada. O que existe aqui não é um romance, mas uma das representações mais bonitas de amizade que já vi em filmes. <b>Erik</b> e <b>Dexter</b> são dois meninos completamente diferentes. Dexter vive isolado, carregando o peso de uma doença que as pessoas ao seu redor mal compreendem. Por ter AIDS, ele é tratado como alguém que deve ser evitado. As pessoas o julgam, espalham preconceitos e fazem comentários cruéis sem sequer conhecê-lo. Mas Erik simplesmente não se importa. Ele vê Dexter pelo que ele realmente é: uma criança que precisa de um amigo. E é justamente essa simplicidade que torna a relação deles tão especial. Mesmo enfrentando a desaprovação da própria mãe e o julgamento constante das outras pessoas, Erik nunca abandona Dexter. A amizade dos dois se constrói sobre algo muito puro: a vontade genuína de estar presente na vida um do outro. A partir daí, o filme encontra sua melhor parte. A busca quase impossível de Erik por uma cura para o amigo poderia soar ingênua, mas é exatamente essa ingenuidade infantil que torna tudo tão emocionante. Para ele, não existe obstáculo grande demais. Seja através de remédios milagrosos, chás de plantas ou viagens em busca de respostas, Erik se recusa a aceitar que não possa fazer nada. O mais bonito é que, sem perceber, essa busca deixa de ser sobre encontrar uma cura e passa a ser sobre dar a Dexter experiências, aventuras e memórias que talvez ele nunca tivesse vivido sozinho. As cenas dos dois juntos possuem uma sinceridade rara. O roteiro entende que não precisa forçar lágrimas nem manipular emoções. Ele simplesmente acompanha dois amigos vivendo momentos que, para eles, significam o mundo inteiro. E justamente por isso o impacto emocional é tão forte. Também gosto muito da relação que se desenvolve entre Erik e a mãe de Dexter. Conforme a história avança, ela deixa de ser apenas a mãe do amigo e se torna uma figura de apoio para ele. Existe algo muito bonito em ver como ambos encontram conforto um no outro diante das dificuldades. Ao mesmo tempo que ela vê em Erik alguém que trouxe felicidade para os últimos momentos do filho, Erik encontra nela um carinho e uma compreensão que muitas vezes faltavam em sua própria casa. A direção de <b>Peter Horton</b> é extremamente sensível. O filme evita exageros e deixa que os personagens carreguem a emoção da história. Já o roteiro acerta ao tratar temas pesados como AIDS, preconceito, perda e morte através do olhar de duas crianças. Em vez de focar apenas na tragédia, ele escolhe mostrar a beleza que ainda existe na vida, mesmo quando o tempo é curto. O final é ao mesmo tempo frustrante e devastador. Frustrante porque passamos o filme inteiro desejando que Erik consiga aquilo que procura. Devastador porque sabemos, assim como ele acaba aprendendo, que algumas batalhas simplesmente não podem ser vencidas. Ainda assim, o filme deixa uma mensagem surpreendentemente confortável. No fim, The Cure não é sobre encontrar uma cura para uma doença. É sobre descobrir que algumas pessoas conseguem tornar a vida melhor simplesmente por estarem ao nosso lado.
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