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Rated Pulp Fiction 9/10
<b>Pulp Fiction: Tempo de Violência</b> é um daqueles filmes que, quando termina, você entende imediatamente por que ele é considerado um clássico. Não é apenas pela história, pelos personagens ou pelos diálogos. É porque parece que tudo aqui foi feito com uma confiança absurda. <b>Quentin Tarantino</b> não estava tentando seguir regras do cinema; ele estava criando as suas próprias. O que mais me impressionou foi a estrutura narrativa. A história é contada fora de ordem, pulando entre diferentes personagens e momentos, mas nunca parece confusa. Pelo contrário, cada nova cena adiciona contexto e significado ao que vimos antes. É como um quebra-cabeça onde a diversão está justamente em montar as peças. E que personagens. <b><i>John Travolta</i></b> e <b><i>Samuel L. Jackson</i></b> formam uma das melhores duplas que já vi. <b>Vincent Vega</b> e <b>Jules Winnfield</b> poderiam facilmente ser apenas dois criminosos, mas Tarantino os transforma em pessoas reais através de conversas aparentemente banais. Eles falam sobre hambúrgueres, massagens nos pés e televisão com a mesma naturalidade com que discutem assassinatos. E é justamente isso que os torna tão memoráveis. Jules acabou sendo meu personagem favorito. O arco dele é surpreendentemente filosófico para um filme conhecido pela violência e pelos diálogos afiados. Enquanto todos ao seu redor parecem presos a uma vida de crime e repetição, ele é o único que realmente para para refletir sobre quem é e sobre quem deseja se tornar. Mas um personagem que me surpreendeu bastante foi <b>Butch Coolidge (<i>Bruce Willis</i>)</b>. Toda a trama do relógio herdado da família é ao mesmo tempo engraçada e emocional, e ajuda a explicar por que Butch está disposto a arriscar a própria vida para recuperá-lo. E então temos <b>Marsellus Wallace (<i>Ving Rhames</i>)</b>. Durante boa parte do filme ele parece quase uma força da natureza. Todo mundo fala dele, todo mundo tem medo dele, e sua presença paira sobre a narrativa mesmo quando não está em cena. O momento mais chocante do filme, porém, envolve justamente Butch e Marsellus. Depois de passarem boa parte da história como inimigos, eles acabam sequestrados por dois homens completamente perturbados. É uma sequência que muda totalmente o tom do filme. Até então, a violência de Pulp Fiction muitas vezes tem um aspecto estilizado ou até cômico. Ali não. É uma cena genuinamente horrível, desconfortável e perturbadora. O que acontece naquele porão continua sendo uma das partes mais difíceis de assistir do filme. E justamente por isso o que vem depois funciona tão bem. Quando Butch consegue escapar, ele poderia simplesmente fugir e deixar Marsellus para trás. Afinal, Marsellus estava disposto a matá-lo. Mas ele volta. Essa decisão transforma completamente o personagem. Pela primeira vez, Butch faz algo não por interesse próprio, mas porque reconhece que existe algo pior do que a rivalidade entre eles. E a forma como a situação é resolvida depois é brilhante. Marsellus não esquece o que aconteceu, não perdoa completamente Butch, mas estabelece uma espécie de trégua baseada no respeito que surgiu naquele momento extremo. Também gosto muito de como essa sequência reforça um dos temas centrais do filme: <b>a possibilidade de mudança</b>. Jules encontra uma espécie de redenção espiritual. Butch escolhe fazer a coisa certa quando ninguém esperava. Mesmo em um universo cheio de criminosos, Tarantino encontra espaço para falar sobre escolhas. Também adoro como o filme transforma situações simples em momentos de tensão absurda. Tarantino consegue fazer uma conversa em uma lanchonete ser tão envolvente quanto uma perseguição ou um tiroteio. Poucos roteiristas conseguem escrever diálogos com tanta personalidade. E embora muita gente lembre de Pulp Fiction pela violência, para mim o filme é muito mais sobre personagens do que sobre ação. Cada núcleo funciona porque os personagens são interessantes o suficiente para que você queira apenas vê-los conversando. Além disso, é impossível ignorar o impacto cultural do filme. Seja a dança entre Vincent e Mia, a maleta misteriosa, os discursos de Jules ou as dezenas de cenas que entraram para a história do cinema, parece que estamos assistindo a uma coleção de momentos icônicos que, de alguma forma, formam um todo ainda melhor. O mais impressionante é que, mesmo depois de mais de trinta anos, o filme continua moderno. Continua engraçado, estiloso e imprevisível. É o tipo de obra que influencia gerações de cineastas e, ainda assim, permanece impossível de copiar completamente. <b>Pulp Fiction</b> é Tarantino no auge: diálogos brilhantes, personagens inesquecíveis, estrutura narrativa ousada e uma confiança criativa que transborda em cada cena.
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