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Rated The Breakfast Club 10/10
<b><i>"Um cérebro, um atleta, um caso perdido, uma princesa e um criminoso."</i></b> É impressionante como Clube dos Cinco consegue transformar uma simples detenção de sábado em um dos retratos mais humanos e sinceros da adolescência já feitos no cinema. O roteiro e a direção de <b>John Hughes</b> são brilhantes justamente porque entendem algo que muitos filmes adolescentes esquecem: os problemas dos jovens podem parecer pequenos para os adultos, mas para eles são o mundo inteiro. Hughes faz aqui o mesmo que faria em <b><i>Curtindo a Vida Adoidado</i></b>, mas por um caminho completamente diferente. Enquanto Curtindo a Vida Adoidado celebra a liberdade, a aventura e a vontade de aproveitar a vida antes que ela passe, <b><i>Clube dos Cinco</i></b> é mais introspectivo. É um filme sobre identidade, pertencimento e sobre como as pessoas são muito mais complexas do que os rótulos que recebem. À primeira vista, <b>Brian, Andrew, Claire, Allison e Bender</b> parecem apenas estereótipos ambulantes. <i>O cérebro, o atleta, a princesa, a estranha e o criminoso</i>. Mas o grande mérito do roteiro de John Hughes é mostrar que esses rótulos são apenas máscaras. <b>Brian (<i>Anthony Michael Hall</i>)</b> talvez tenha sido o personagem que mais me surpreendeu. Ele parece o aluno perfeito, mas por trás disso existe uma pressão absurda para ser impecável. O motivo que o levou à detenção é devastador justamente porque parece pequeno para os outros, mas gigantesco para ele. O filme entende que a cobrança excessiva também machuca. <b>Andrew (<i>Emilio Estevez</i>)</b> vive sob a expectativa constante de ser forte, vencedor e competitivo. Seu pai o ensinou que demonstrar fraqueza é um defeito. Quando ele revela o motivo de estar ali, percebemos alguém que abriu mão da própria individualidade para atender às expectativas dos outros. <b>Claire (<i>Molly Ringwald</i>)</b> é vista como a garota popular que tem tudo, mas vive presa à imagem que precisa manter. Existe uma tristeza genuína na forma como ela fala sobre sua família e sobre a necessidade constante de agradar as pessoas ao seu redor. <b>Allison (<i>Ally Sheedy</i>)</b> talvez seja a mais solitária de todos. Ela não está ali por um motivo específico. Foi para a detenção porque simplesmente não tinha mais nada para fazer. Essa revelação diz muito sobre o abandono emocional que sente dentro da própria casa. E então temos <b>Bender (<i>Judd Nelson</i>)</b>, que para mim é o personagem mais complexo do filme. No começo ele parece apenas um delinquente provocador que gosta de criar confusão. Mas quanto mais ele fala sobre sua vida, mais entendemos que toda aquela agressividade é uma defesa. Bender vive em um ambiente abusivo, sem afeto, sem apoio e sem perspectivas. Ele aprendeu que atacar primeiro é a melhor forma de evitar ser machucado. E é justamente aí que entra <b>Richard Vernon</b>, interpretado por <i><b>Paul Gleason</b></i>. É fácil enxergar Vernon como o vilão da história. Afinal, ele é o adulto autoritário que passa o filme intimidando os alunos, especialmente Bender. Mas quanto mais penso no filme, menos acredito que ele seja simplesmente um antagonista. Vernon representa algo mais profundo: um adulto frustrado, preso em um sistema que já não compreende os jovens que deveria orientar. Em uma das conversas mais importantes do filme, ele revela seu medo de perder autoridade e de não ser mais respeitado. Existe uma amargura nele que sugere alguém que talvez tenha abandonado seus próprios sonhos há muito tempo. O mais interessante é que Vernon e Bender funcionam quase como reflexos um do outro. Ambos são pessoas machucadas que respondem ao mundo através da agressividade. A diferença é que um ainda é um adolescente tentando descobrir quem é, enquanto o outro já se tornou aquilo que o sistema moldou. E talvez seja isso que torna Clube dos Cinco tão especial. Ele não está interessado em heróis e vilões. Está interessado em pessoas. <b>Pessoas pressionadas pelos pais, pela escola, pelos amigos e pelas expectativas da sociedade. Pessoas que fingem ser algo porque acreditam que é isso que os outros querem ver. </b> O mais bonito é que o filme não tenta fingir que uma tarde resolve todos os problemas daqueles jovens. Eles continuam sendo pessoas diferentes, com vidas diferentes. Existe até uma melancolia quando percebem que, ao voltar para a escola, provavelmente serão empurrados novamente para os papéis que a sociedade espera deles. Mas durante algumas horas, dentro daquela biblioteca, eles deixaram de ser estereótipos. Se tornaram apenas pessoas. E talvez seja por isso que o filme continua tão atual. Porque todo mundo, em algum momento da vida, já se sentiu incompreendido, julgado ou preso a uma imagem que não representa quem realmente é. A cena final ao som de <b><i>Don't You (Forget About Me)</i></b>, com Bender atravessando o campo e erguendo o punho para o céu, continua sendo uma das imagens mais icônicas do cinema. Não apenas pela música ou pela estética, mas porque representa um pequeno momento de libertação. Se <b>Curtindo a Vida Adoidado</b> é o filme de John Hughes sobre aproveitar a juventude antes que ela passe,<b> Clube dos Cinco</b> é sobre entender as dores que existem dentro dela. Quando aqueles cinco jovens escrevem a carta final para Vernon, o filme deixa sua mensagem mais poderosa: <b>os adultos adoram colocar as pessoas em categorias simples, mas ninguém é apenas uma coisa.</b> <i><b>Todos nós somos um pouco cérebro, atleta, princesa, caso perdido e criminoso. </b></i>
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